Perito Prof. Sebastião Edison Cinelli

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Cruzamento de traços - prioridade


(É  uma matéria que consiste  em determinar a prioridade de um lançamento,

para casos de assinaturas em documento  assinados “ in albis”  , e a “

posteriori” ,  seu aproveitamento acrescentando no espaço adrede preparado

texto e o que bem entender)        

 

CRUZAMENTOS DE TRAÇOS

  

Importância no mundo

 

As últimas três décadas do século XX foram verdadeiramente maravilhosas e não nos surpreendemos pelos avanços daqueles que trabalham contra o crime, contra aqueles que desgraçadamente procuram se aproveitar de oportunidades, de amizades, de confiança para burlar terceiros.

 

Á luz da ciência contemporânea, a prova material se apresenta com significado novo. Novos estudos, novas pesquisas foram sendo criadas pelos verdadeiros cientistas da polícia técnico científica, na busca de soluções para os mais intrincados problemas que acontecem diuturnamente em todas as plagas de nosso Planeta.

 

O local de crimes não é mais aquele palco tão somente para ouvir testemunhas, e sim em um laboratório de análises visando à reconstituição do fato tido como criminoso.

 

Seu rápido desenvolvimento, ainda sob sigilo para o público, pois se torna perigoso a sua vasta divulgação, vem se tornando cada vez mais eletrizante, que, ao assistir qualquer tipo de palestra, seja qual for à área, é motivo de espanto e  atenção a toda prova, obviamente variando de estado para estado

 

Em face de vastidão do assunto abordado, apresentado sob o ponto de vista especializado, o leitor, acredito, concluirá que a elucidação com base científica do crime é uma carreira que exige atividade integral.

 

 Ser perito é  uma profissão que exige de sua plêiade  homens  abnegados, serviço essencial à sociedade no sentido de elucidar e suprimir o crime e garantir a proteção do inocente.

 

Dentre as cadeiras, uma das  mais importantes é a DOCUMENTOSCOPIA, a perícia que cuida dos exames documentoscópicos, dos exames grafotécnico, das mecanografias, das tipografias, das impressões digitalizadas dos dias de hoje e o famoso CRUZAMENTO DE TRAÇOS – que tem como objetivo conhecer as prioridades dos lançamentos de traços – conhecer o que foi escrito em primeiro lugar – conhecer as intersecções dos traços manuscritos e ou impressos.

 

Pode-se dizer ainda sem medo de errar, que o fracasso na aplicação da ciência, no campo da investigação criminal, pode ser atribuído a muitas causas.

A principal entre elas é possível que esteja ligada a incapacidade do serviço criminal e civil em atrair pessoal competente. Em lugar de admitir, selecionar homens treinados a ciência, em muitos estados e países, empregam curiosos tateantes de detetive local, que pode ser apenas amador curioso dos métodos de laboratórios.

 

O resultado torna-se assim em um conglomerado de material, que varia em  qualidade, desde as teses escolares até meros artifícios e recitais de valor duvidoso.

 

A criminalística depende muito para seu desenvolvimento, dos princípios e dados das Ciências Físicas – Química – Física e Biológica. É a prova muda.

 

É preciso lembrar  que o cientista de polícia técnica científica  é solicitado a defender suas conclusões em seu testemunho perante os tribunais, e que a parte contrária pode interrogá-lo com respeito ao ramo da ciência no qual está testemunhando.

 

Na perícia de documentos, notadamente na área da grafotécnica, surgem cotidianamente os aproveitamentos de folhas assinadas “in albis” com preenchimento a  posteriori, seja na forma manuscrita, datilografada ou impressa.

 

No Brasil, a tecnologia dos exames de documentos vem crescendo cotidianamente , já está se interiorizando de norte a sul, de leste a oeste com eventos a cada ano, ou como Comitê  ou Congresso da Criminalística como um todo, ou como a Documentoscopia em particular.

 

A técnica para  esse tipo de estudos não se aprende a toda hora, não vemos publicações a respeito, pois não  é costumeiro tornar público essa tecnologia face os segredos e perigos que ela encerra.

 

Os exames são rigorosos; as demonstrações daquilo que se está vendo mais audaciosas e difíceis de serem alcançadas, é preciso ser cientista da criminalística para alcançarmos êxito.

 

O mundo inteiro pensa cotidianamente sobre este assunto, experts tentam muitas vezes se aproximar de seus mestres, que ainda conseguem manter intacto seus segredos e a altivez da arte de detectar as prioridades.

 

É necessário que cada estado, que cada país permita o desenvolvimento gradual da  criminalística que busca a passos seguros conhecer , analisar e interpretar os vestígios materiais de fatos delituosos.    

 

 

PRIORIDADE DOS  TRAÇOS

 

    A MATÉRIA É PALPITANTE –  há muitas décadas especialistas de todos mundo, notadamente no Brasil, procuraram estudar devidamente sobre as prioridades de cruzamentos, utilizando-se todos os recursos havidos nas oportunidades passadas.


As opiniões foram muito controversas ;  até os idos da década de 1.970, profissionais dos ramos, notadamente os decanos achavam que a   questão não oferecia resultados satisfatórios, uma vez que os traços  mais escuros sempre ofereciam um visual que estariam sobre (por cima) dos traços mais claros, o que de certa forma induziram àqueles que se encontravam  iniciando a carreira de Perito Criminal, que se encontravam ou não na seção de documentoscopia, porém sempre ligados à perícia  de documentos.


Não foram fáceis  os estudos; químicos procuravam através de apetrechos chegar a algum resultado.


Em São Paulo, comecei  apreciar a questão, com a utilização de filtros  que amenizassem a região de cruzamento porque a questão era física e jamais química, o  amigo que partiu para o Oriente Eterno Dr. José Del Picchia Filho  procurava outros métodos para  detectar melhor a região de intersecção; seu filho Celso Mauro , também interessado na matéria procurava também não só visualizar a região como também a melhor forma de ilustrar para terceiros.


Em Brasília o Dr.Chelle, na época Perito Criminal da Polícia Federal sempre ligado a nós e a Carvalhedo, antigo  diretor da Academia Nacional de Criminalística, também se empenhavam sobre o assunto, nos oferecendo na época subsídios até hoje empregado por  nós.


A eles me  filiei e consegui trabalhos maravilhosos com as devidas demonstrações fotográficas. Hoje meus filhos, profissionais independentes acreditam e realizam trabalhos maravilhosos.


Meus respeito e veneração àqueles exemplos de experts que estão acima de qualquer suspeita,  acreditando serem um marco em nossa história  e não, naqueles  penetras sem qualificação técnica. 


Destes encontros sempre surgiam  coisas novas; constatou-se assim que a questão não era química e sim física, defendida pelo subscritor deste trabalho e também como  colunista de “Notícias Forenses” .


O que se visualizava na lupa estereoscópica, não de aumento exagerado como pensam muitos, teria que ser apresentado no papel,  em macro e micro fotografia para terceiros desinteressados observarem , quais sejam, as partes no litígio, as pessoas desinteressadas  como deve ser o promotor de justiça, o perito, o  juiz, o tribunal .


O perito oficial ou assistente técnico, também são  pessoas desinteressadas; sua missão é também  o   “VISUAM    ET   REPERTUM” – se  reportar após estudos e análises  naquilo que está vendo.


Hoje ainda possuímos  peritos  que não acreditam na detecção do CRUZAMENTO DE TRAÇOS  por que ainda não se interessaram nos estudos e que  ainda guardam ensinamentos do passado. Alguns poucos  que nunca acreditavam, hoje realizam  estes exames;  poucos sabem observar e interpretar as questões físicas decorrentes;  poucos sabem ilustrá-las, alguns em todo o  Brasil sabem executá-lo com perfeição; no Mundo poucos se dedicam ao assunto; não temos recebido maiores informes destes especialistas, porém não creio  que sejam  melhores que nós.


Em congressos eles sempre ficaram desejosos de nossas  demonstrações.


Como se vê, se nos exames nos originais é necessária   habilidade técnica a toda prova.  A Unicamp não forma peritos em Documentoscopia e nem em Grafoscopia.


A formação devida é ministrada pela Acadepol de São Paulo e pelos Peritos Judiciais habilitados tecnicamente e , pelos Peritos Criminais que pela Academia de Polícia passaram.

 

Já imaginaram  MEUS LEITORES se as peças destes exames forem  oriundas de FAX, de     REPROGRAFIAS e de outras reproduções pela eletrônica?

 

Na minha ótica,  pelo FAX ou pela REPROGRAFIA, impossível determinar prioridades - como por exemplo, conhecer se um traço de uma assinatura fora lançado sobre (por cima) em um campo manuscrito, ou, se o traço daquela assinatura está exarada sobre (por cima) de um campo impresso, datilografado etc., pois bem,  alguém da Unicamp foi acionado no caso Maluf para apreciar um documento que era Fax de uma Reprografia  ele ofereceu resultado sobre a prioridade, logo, sua conclusão é falha;  nós  apenas examinamos a carta que fora exarada por um  punho diverso ao do consulente o  Dr Paulo.

 

Exemplos de  dois tipos de cruzamentos de traços como ilustrações


Foto 1













Legenda da foto – 01 -Exemplo de traço de caneta esferográfica de matiz azul sobre traço produzido com caneta de massa esferográfica de matiz preta. Nas três intersecções de cruzamentos vemos as perturbações que os traços azuis sofreram uma vez que cruzou um campo vincado , com sulcagens em face da utilização de outro instrumento escrevente de massa esferográfica de  matiz preta.

















Legenda da foto – 02 Cruzamento de traço entre texto datilografado  e sobre ele, traço de assinatura em azul. Observe que nas regiões de cruzamentos, o traço azul da caneta de massa esferográfica sofreu perturbações quando adentrou em regiões de sulcagens, sofrendo desvios, estreitamentos dos bordos e, no interior do quadrilátero, perda de substância motivado pelo  salto havido da ponta da esfera. Caso típico de assinatura sobre texto a máquina lançado em primeiro lugar.